domingo, 11 de maio de 2014

11 de maio, em Guimarães, pisando onde nasceu Portugal. Pátria, Nação, Origem e Destino se cruzam e se encontram para propiciar momentos únicos. Em Guimarães sentimos o apogeu da Primavera portuguesa, nos entrelaçamos aos Caminhos de Santiago de Compostela e debravamos a Rota Romanica... ufa... ao fechar os olhos ainda me retornam tais imagens de encantamento...

...Os jardins e as flores nas eiras e beiras nos golpeiam a cada instante... impossível ser insensível...





O Castelo de Guimarães...






E o Palácio dos Duques de Bragança.

Duas expressões muito populares de nossa língua nasceram em razão de seus recintos.

Vejam a dimensão desta sala de refeições e entenderão a primeira. Trata-se de uma série de mesas unidas, que se punham e tiravam conforme o número de convidados. Daí surgiram os dizeres de "levantar" e "pôr" a mesa, ou seja, aumentar ou diminuir a quantidade de mesas para acomodar os comensais




Em uma outra dependência, as "paredes têm ouvidos", que nada mais significa que os vãos na parede (acima das janelas) foram feitos de modo a permitir ouvir o que se comentava nos pátios do Palácio...


Mais detalhes impressionantes do Palácio, a sala de armas e a capela consagrada com seus inebriantes vitrais




Aspectos do exterior e do pátio do Palácio




Prosseguindo, no dia mais medieval de nossa viagem até aqui, fomos na direção de Amarante. Ao procurarmos um determinado restaurante, caimos na "Rota Romanica" e nela, em meio aos parreirais em que se produz a uva do famoso vinho verde, a Primavera novamente  se descortinou em todo o seu esplendor. Recomendamos a todos percorrerem um dia ao menos um trecho desta rota




A fome apertou, e como a Heloísa desnutrida fica igual a esta cerveja artesanal que provamos em Amarante (em seguida maiores detalhes)...



... recorremos ao acaso e entramos na "Tasca dos Três Rapazes", em plena Rota Romanica, possivelmente no Município de Baião. Escolhemos este pequeno estabelecimento familiar para explicar como tem sido difícil manter qualquer tipo de controle alimentar em Portugal. Vejam nosso Bacalhau com Natas...


... e já passo à conta para detalhar os itens do banquete que comemos por 35 euros (mais os 10 % que sempre deixamos, embora isto por aqui não seja obrigatório ou induzido)...


Deliciosos pães e azeitonas rústicos, um prato de pataniscas (bolinhos) de bacalhau, uma porção de Presunto de Parma (jamon dos melhores que fica exposto no local), uma Alheira Mirandela supimpa, salada de folhas verdes e tomate generosa e variada, uma garrafa de vinho do lavrador feito na comunidade, água, um prato de bacalhau com natas que dava para cerca de seis pessoas, dois doces (entre mais de dez postos à mesa para livre escolha), um café que bate qualquer expresso que tenha bebido ultimamente acompanhado por deliciosas bolachinhas chamadas "beijinhos de amor", e ainda nos dizem Obrigados... ora, Obrigado a vocês da Tasca dos 3 Rapazes. Carimbo de "aprovado" e notação máxima tanto para Reis (pela qualidade), quanto para plebeus como estes blogueiros (pelo preço)... e as instalações são, ainda, um desfrute ao olhar



Adentramos em Amarante em pleno Festival dos Doces Conventuais, que lá ocorre anualmente. Muita gente. Apeamos e vamos a circular. Uma senhorinha insistiu para que fôssemos à Igreja de São Domingos. Uaaauuuu... que preciosa. Pequena e deslumbrante, foi recentemente restaurada e reaberta.


Descemos então para a Igreja e Convento de São Gonçalo, ícone de Amarante por lá estar o túmulo deste santo católico, realmente de beleza ímpar, e em cujo pátio se realizava o festival de doces... música, alegria... e a melhor cerveja artesanal de trigo por mim já provada





Como registro final de Amarante, fica a dica da Doçaria do Mário. Você entra por uma pequena porta, atravessa vitrines apetitosas e depara com um salão ricamente decorado e com a mais descansadora vista do Rio Tâmega. Provamos por lá mesmo os tais doces conventuais entre eles as "lérias" e "brisas" do Tâmega, que coisas boas !!!. Tchau Amarante, até mais ver. De volta ao Porto e ao que nos aguarda.






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