terça-feira, 20 de maio de 2014

Lisboa, Parte I

Por influência da Heloísa, e por ser este um local um tanto fora do roteiro turístico - e que conviria visitar antes de devolvermos o carro alugado - o primeiro local conferido na Lisboa de nossos sonhos foi a "Casa de Fernando Pessoa"

Sem saber, ela cumpriu uma espécie de profecia, já que Pessoa (sei que sabem dos heterônimos) são meus poetas preferidos

Vamos compartilhar Fernando Pessoa:
    O meu olhar é nítido como um girassol.
    Tenho o costume de andar pelas estradas
    Olhando para a direita e para a esquerda,
    E de vez em quando olhando para trás...
    E o que vejo a cada momento
    É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
    E eu sei dar por isso muito bem...
    Sei ter o pasmo essencial
    Que tem uma criança se, ao nascer,
    Reparasse que nascera deveras...
    Sinto-me nascido a cada momento
    Para a eterna novidade do Mundo...Creio no mundo como num malmequer,
    Porque o vejo. Mas não penso nele
    Porque pensar é não compreender...
    O Mundo não se fez para pensarmos nele
    (Pensar é estar doente dos olhos)
    Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
    Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
    Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
    Mas porque a amo, e amo-a por isso
    Porque quem ama nunca sabe o que ama
    Nem sabe por que ama, nem o que é amar...
    Amar é a eterna inocência,
    E a única inocência não pensar...

    Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos", 8-3-1914


Ai, este trecho dO Guardador de Rebanhos tanto me acompanhou...

E estar no quarto que Ele habitou tanto significou para mim






O museu "Casa de Fernando Pessoa" é relativamente novo, mas obrigatória para quem vive no Planeta Terra e se sensibiliza com a mescla única de sensibilidade humana e espiritual que sintetizou Pessoa

Vários manuscritos e objetos pessoais adicionados de modernos recursos multimída brotaram-nos lágrimas aos olhos,.. não tem jeito, a emoção aflora









Deste devaneio seguimos direto devolver o carro no Aeroporto de Portela

Ficaremos os últimos dias em Lisboa utilizando transporte público

De toda a forma, viajar por Portugal com a autonomia que dá um automóvel otimizou espetacularmente nossa programação

Acabamos rodando mais do que o esperado, e os pedágios (portagens) são caros...

Todavia, como o carro era a gasóleo (diesel) consideramos um negócio estupendo estes 15 dias que ficamos com o nosso Peugeot 208 português

Deixará ele saudades, mas derivamos para  "Comboios","Electricos", "Metro" e "Autocarros" na boa

Tanto assim que já à tarde pegamos o Metro e em seguida o Elétrico 15 até Belém.

A chuva trazia um clima de nostalgia de algo que viríamos ainda a viver... mas não inviabilizou o passeio

Primeiro, o Museu dos Coches. Dá pra entender porque é um dos mais visitados da terrinha. Encontramos paralelo nos nossos carros alegóricos das escolas de samba

Carruagens, Liteiras e outros carros de passeio de realeza e do clero de deixar de queixo aberto qualquer Joãozinho Trinta








Após,ainda em Belém visitamos a Torre, o Mosteiro dos Jeronimos, o Padrão dos Descobrimentos e a Fábrica dos Pastéis de Belém (os originais)... mas isto é para outros posts (incluindo notícas do almoço altamente indicado que desfrutamos) porque estamos aqui no Ibis Malhoa vendo TV e dividindo um bacalhau que pedimos para viagem - a 4,50 euros para os dois - e que serviria, em verdade, os dois times finalistas da Euro League que ocorrerá aqui em alguns dias, e isto é prioridade

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